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O reflexo seria imediato.

O reflexo seria imediato.

Acabei por me distrair com um documentário e não concluí o texto de hoje. Assim, para não passar em branco, deixo aqui uma raridade que encontrei em áudio na minha discografia do Tom.

Essa belíssima canção dispensa muitos comentários. É inebriante e extasiante. É o fim do caminho…

Conversa Fiada

Decidi-me por escrever sobre um assunto que me incomoda há tempos: o cabelo das idosas.

É com muito penar que escrevo essa nota. Tentei de diversas formas não reparar no penteado e comprimento dos cabelos alheios, mas é impossivel quando uma maioria esmagadora das senhoras idosas adota o mesmo tipo de penteado: o grisalho-castanho-curto.

Alfinetam-me os sabichões: “-Ora, que assunto mais desnecessário!” ou “-O que deu em você?”.

Respondo-lhes:

-É algo como um pseudoautoconhecimento com uma pitada de… Hm, como posso dizer? De corante social.

(…)

Contenho-me nas explicações anteriores e parto às indagações. 

Comecemos pelo corante, o qual, exprime de maneira indireta a inquietude na qual as senhoras se contêm diariamente. Além, é claro, das intenções notórias de inovar sem fugir do padrão. Afinal, cabelo rosa-choque e bolinhos-de-chuva não podem coexistir num mundo como o nosso. Não é hipocrisia, nem utopia, é um apelo inconsciente por inserção social. 

E sobre o cabelo curto, bem, é pura estética. 

Nem tudo gera discussão, às vezes é só um cisco.

Assunto de (des)interesse nacional

Devido aos vestibulares e exames escolares, ausentei-me daqui por muito tempo. Hoje, enquanto estudava, decidi-me por voltar a escrever. 

Li alguns de meus textos e encontrei alguns erros gramaticais - os quais não vou consertar - , mas que servirão de incentivo para um crescimento textual mais acelerado.

A errata era curta, mais para informar - aos que, por ventura, se interessavam pelas publicações - que em breve voltarei com mais textos. 

Chico - piloto

“Itália, 22 de Março de 1969”

Olê, olá!

Como vai a minha mãe querida? Sim, a mãezinha, aquela com perfume de colônia europeia e samba no pé! E quanto aos meus irmãos? Continuam na cenografia, naquela velha ópera do maldizer ou decidiram-se por viajar? Apesar da dureza do trabalho, convém continuar…

Eu vou bem… BEM, pode-se dizer assim. Calo-me diante da vida trabalhadeira e falta-me o futebol, o samba. Chega de tristeza, chega de cen… sensatez por minha parte.

Ontem mesmo mandei - via um amigo - pedidos, desculpas, amores. Perdoa-me, amigo! Apesar de você, a culpa é “dele”! Só não digas que lhe escrevi chorando. E quando puder, lembre-me da vida boa que deixei. Eu vou voltar, haja o que houver.

Juras de seu amigo, Chico Buarque de Hollanda.

modernismo teste

Análise Literária - A Primeira Fase do Modernismo no Brasil.

O êxtase proveniente da influência europeia no país, passou a influenciar linha de pensamento dos intelectuais brasileiros. A tendência das vanguardas era romper com os padrões sociais, dar viés às características e liberdade criadora. O sentimento nacionalista foi um dos motivos para a valorização da arte no país, veja bem, os artistas e pensadores da época queriam  algo novo, destruindo padrões clássicos, mas seguindo ideais europeus.

Vale ressaltar, também, que nos primeiros vinte anos do século XX a luta dos burgueses e defensores do modernismo era expressiva e foi influência em grande parte da temática cultural do período. Como o modernismo foi imposto de maneira devagar na mente dos conservadores, temos um período que foi caracterizado como pré-modernismo, que teve na prosa de Lima Barreto, Euclides da Cunha e Monteiro Lobato, grandes obras e até retratos regionalistas. E na poesia crítica de Augusto dos Anjos um ensaio para o que viria no modernismo.

Pode-se dizer que o Modernismo teve como marco simbólico a Semana de Arte Moderna de 1922, onde se encerrara o período pré-moderno e dava-se início ao “processo destrutivo” que seria a primeira fase do modernismo. Artistas como Oswald de Andrade com o seu “O Pirralho”, Graça Aranha - ainda formal- apoiando o protesto e Villa-Lobos no cenário musical, chocaram a burguesia paulista e trouxeram à tona as propostas modernistas, mas foram retaliados com tomates e vaias entoadas pelo público.

Esta fase foi chamada de “destruidora” porque enfatizava a quebra dos paradigmas parnasianos e classicistas. Manuel Bandeira criou um dos mais famosos poemas do período, “Os Sapos”, onde se referia aos poetas parnasianos como “coisas/animais desagradáveis. Ele também faz referência direta a escritores famosos como Olavo Bilac de maneira encoberta e personificada na metáfora “sapos” e suas compostas, como “sapos-pipas”.

Outra contradição aos padrões clássicos era o uso futurístico da falta de pontuação, dando características da vanguarda ao texto. Aboliram-na em função de dar a sensação de velocidade e maquinaria, como vemos na poesia “Maturidade” de Oswald e Andrade:

Maturidade

O Sr. e a Sra. Amadeu

Participam a V. Exa.

O feliz nascimento

De sua filha

Gilberta

Quanto à métrica, percebemos claramente o uso do verso livre, uma das características mais importantes da escola. Que proporcionou maior facilidade para o retrato do cotidiano - que era a principal temática modernista. O verso livre dava liberdade estética e criadora ao escritor, alternando até para a poesia concreta em certos casos.

A temática cotidiana retratava o gosto modernista pelo polêmico, onde reconheceram a linguagem dos subúrbios, o tupi-guarani e a própria existência indígena. Vemos na poesia “Pronominais”, também de Oswald de Andrade, o contraste entre o linguajar gramatical e o popular, quando dizem “Dê-me um cigarro” e “Me dá um cigarro”. A busca do simples e nacional  gerou discussões nas rodas intelectuais do país.

O período moderno trouxe mudanças em todos os segmentos artísticos e culturais brasileiros. Foi importante para a destruição das estruturas arcaicas que dominavam a arte e literatura do país, formando uma cultura nacionalista e uma verdadeira arte própria. Exportando em alguns setores, literários e cinematográficos, o que o Brasil representava e criticava. Foi o que podemos chamar de “guerra literária”, onde um nacionalismo muitas vezes ufanista expôs as mais diversas regiões do país para aqueles que as ignoravam - burguesia alienada. Pós-moderno é como alguns historiadores definem os dias atuais, um Modernismo mais maduro e centrado, liberto e popular. “Guardemos os tomates”.

Procura-se vestibulando!

Que o período mais conflituoso da vida é a adolescência, todos sabem. Aliás, sabem mesmo? Opiniões divergem, já que os mais novos querem alcançar logo a maturidade através de escolhas simples e - quase sempre - mal-analisadas. Os mais velhos, arrependem-se de terem sido imaturos no processo de se encontrar, lê-se: encontrar uma profissão.

A pressão sobre os estudantes é tremenda e não os deixa esquecer por um segundo, que o futuro deles será reflexo do que decidirem. Poderão oscilar dos que sentam na cadeira acolchoada, aos que sentem dores musculares depois de um dia sem sucesso distribuindo currículos.

Profissionais de recursos humanos dizem que para pessoas serem bem-sucedidas em uma área, elas precisam ter, em suma, 30% de conhecimento e 70% de atitude. Isso é resultado de um panorama ambíguo, pois cada vez mais jovens despreparados vêm exercer uma profissão totalmente alheia a eles e caem no vai e vem trabalhista.

O fato é que a falta de informação - ou procura da mesma - tornou o vestibular um bicho-de-sete-cabeças para toda uma geração. O despreparo vem de casa e da escola, por falta de orientação profissional, gerando uma concepção errônea do mercado de trabalho. Transformando o encontrar-se no próprio desencontro.

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste…

“Das Letra”

Segundo o dicionário, pode-se definir “língua” como um sistema de comunicação comum entre um grupo. Portanto, é inconcebível haver pluralidade de maneiras de se falar e entender, certo? O MEC afirma o contrário.

O livro “Por uma vida melhor” ressalta que devemos adicionar ao nosso vocabulário as marcas de oralidade, escrever como convir ao interlocutor. Abrangendo, assim, um leque de coloquialidades da língua falada. 

A polêmica causada gira em torno das expressões: “os livro” e “nós pega os peixe”. Segundo o livro, o plural já está especificado na frase, cabe, então, ao leitor interpretá-la da maneira popular.

Gramáticos, ministros e até pessoas leigas opinam com contrariedade sobre o assunto. O argumento mais plausível e consencial entre eles, é o de que ensinar que o popular é certo deteriorará ainda mais o ensino brasileiro. Que isto contraria, também, a linha de raciocínio do livro que tenta incluir na sociedade quem fala errado, mas que na hora de um concurso será excluído da mesma maneira por ter se acomodado ao português “dos livro errado”.

Contudo, o livro não deixa de lado o contexto culto da língua. A autora afirma que o popular deve ser aceito, mas sem deixar de abarcar a norma culta - que é explicada corretamente no livro.

Os exemplares do livro que já foram distribuídos, ainda hão de dar o que falar. E esta questão, agora politico-educacional tomará as páginas “dos jornal” até que alguém seja vitimado de preconceito linguístico. Então, policie-se, da próxima vez que usar um pronome oblíquo, pode dar cadeia.

“Precocidade”

Contento-me - ainda - em não ter os cabelos brancos, nem aquele cheiro que só gente velha tem. Contento-me também, em ter o retorno funcional do meu corpo e, assim, ser convidado para os eventos sociais de minha idade. O que não corresponde é mental. Digo, psicológico.

O cansaço simula as corcovas. Amores? […] Hábitos indigestos e tratamento colonial, já que assemelho-me à mobília. As olheiras refletem o pouco - ou muito - sono. Nada em demasia, tudo em excesso.

Não reclamo, aceitei a condição. 

Somos todos produtos em uma prateleira. Os que escolhem demais, não levam nada e, por fugir do padrão, nunca és levado. Levado a sério, a mal, longe ou perto, quisera “lavado”. Afinal, sentimo-nos tão ínfimes em relação às coisas que procuramos camuflar a vergonha, a nossa sina, por trás dos “ismos”. Lavamos a língua.

O famoso brasileirismo é a nossa - às vezes trágica - atitude de deixar tudo para última hora. Estamos tão alienados e acomodados com essa situação, que…

Quase esqueci-me de terminar o relato autobiográfico de um jovem velho, cansado, atulhado e determinado. 

Determinado “por” e não “para”. 

Para que e por que essa pressão é inserida na cabeça dos jovens? Privando-nos dos prazeres pueris e simples da adolescência - que é curta. É de incumbência nossa as exatas? Biológicas? Humanas? Ah, biológicas… Por favor, explique-me essa mistura de decadência com antiques, que, embebida em tarefas resulta em dores de cabeça. É, somos dependentes.

Eu fui precoce tarde, e assim, contradizendo-me voltarei ao padrão social de nascer, crescer, “morrer”, multiplicar e morrer - de vez.